Release me

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  Uma escravidão é feita em plena atualidade por coerção em troca de mentiras, denegrindo a felicidade e trazendo algo que já se é desacreditado... Não me sei mais o que é ser eu e nisto, estou preso por diversidades serem portas trancafiadas por mentes rochosas e ideologias furadas. Irônico é encontrar-me apenas nas redomas que não contemplam onde resido. Mas, de algum modo ainda tento lembrar-me de quem sou... Ah, é difícil ser algo que não somos ou que queiram que nos tornemos...

  I was born this way. Não escolhi ser vivo e viver assim: machucando-me e me carregando cruzes de moldes robóticos padronizados que me querem que eu seja. Queria que vissem que sou além de tudo: meu, eu, como queiram, um ser, com vida, própria... E de pensamentos, escolhas, jeitos, gostos, coisas diferentes e não um “hamster na caixinha” que só anda na rodinha e tem sua vida vivida pelos “donos”. Sou-me mais do que se estagna nessa visão cega que delineia passos que me deveriam ser incertos. Tenho voz, pertenço-me.

  Queria somente respirar mais uma vez sendo quem sei quem sou. Não sou de ninguém. Queria apenas ser somente eu sem as barreiras de controles. Não sou um fantoche. Queria ser livre e voar nas dores que me chamam e nos sorrisos que me encantam. Não sou quem querem que me torne. Queria ser mais uma vez ar e, respirar-me o que de mim perdeu-se em rancor. Queria, quero ser, eu.



Oh, dear dad can you see me now?
I am myself like you somehow.
I'll ride the wave where it takes me.
I'll hold the pain. Release me.
Pearl Jam - Release

Uma expectativa que virou decepção

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  Esperei... E criei o tipo ideal que queria a mim. Especulei expectativas fictícias que te trancafiavam no que me almejava por junto. Desenvolvi a perfeição dos fatos ou do sentimento que preponderava a minha realidade, sonhando-me cada vez mais com algo abstrato que queria que me fosse concreto, realmente tocável. Dei-me, então, de ombros com imperfeições tornando-te o esmo necessário para as engrenagens de um singelo e bonito ato de sorrir do meu dia a dia.

  Mas, logo mudou. Depositei-te por inteiro uma dor que não podes carregar. Sonhei transformando-te no ideal que só via a mim, mas te excluía os princípios de também ser alguém de escolhas e sentimentos. Esperei demais algo que não me podes dar.

   Minha expectativa tornou-se decepção, pois o que já tinha e tenho para ser oferecido sobrepõe à realidade do sentido e mergulha-se profundamente no íntimo, assim, meu vazio é impreenchível. E, o que espero sempre se fez uma utopia que me trouxe sorriso por junto duma incerteza que se desenvolve após em dor. Todavia, o que fiz e o que faço é apenas ser eu, doído e de profundos sentimentos que não cabem em braços, mas sim, num peito.

  Contudo, aprendi que esperar e desejar demais pode criar-nos uma decepção (nem tudo é como queremos). O ideal é deixar-nos viver e nos entregarmos aos poucos, intimamente preenchendo-se...



Esperar muito de alguém pode nos decepcionar,
mas pior que se decepcionar é não aprender e não tentar viver
outras expectativas que nos tragam esperanças do amor.

Um novo horizonte chamado você

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  Chegou, conversou, conquistou e abalou. Fiquei-me sem ar e norte, sem eira nem beira. Carente, te senti em mim como um novo horizonte que resolvia a equação da minha dor. Sofri calado no sufocamento que me dei deixando-te sem ar, pois já não me sentia há muito tempo algo diferente da tristeza pesada de sentimentos não correspondidos ou destruídos por outrem. Quis sorrir e...

  Sorri-me ao ver-te no encalço que me desestruturou o rumo do andar em círculos. Já não me sabia mais o que era sentir-se bem, e logo, seu horizonte corou meu peito já fadigado. Doeram-me dores de amar e de dúvidas, mas tudo se fez harmônico para que em tão pouco tempo eu houvesse envolvido, balançado e aberto para a chegada do teu “eu”. Este “eu” que me começara a vir à tona dentro das coisas vividas por detrás de nossos papos. Conhecer-te mais me fez dor: de amar e de ser feliz. Trouxe-me um novo horizonte de possibilidades, uma nova dor e um novo querer. Um horizonte chamado você.


“Liberdade de voar num horizonte qualquer, 
liberdade de pousar onde o coração quiser” 
Cecília Meireles                   
Só isso que quero                 

Casei com a dor

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  Casei com a dor e incrivelmente ela me machucou, sofri, amei sofrer e logo me dei importância a tudo que se envolvia no meu contorno débil de sentir... Aprofundei-me, no íntimo intrínseco de que sentir, nada mais é do que se automutilar na dor alheia e sensibilizar sentidos jamais vivenciados na própria pele.

  Coloquei-me na colocação primeira e na última, e a única pergunta que me brindei fora: “O que importa?”. E é isso, “o que importa” quando o outro sente algo; “o que importa” quando animais são maltratados; “o que importa” quando vemos um governo corrupto; “o que importa” quando há hospitais inacessíveis por sua desqualificação e indisponibilidade ambiental; o que importa?

  A dor, a única fonte de energia onipresente que nos temos nesse meio miseravelmente bom, que é sentir. É complexo dizer que gosto da dor, mas a sentir já é por si só suficientemente inexplicável. Só penso em ajudar tamanha demanda sofrida alheia que me vem, contudo ainda não tendo a fórmula perfeita do “país das maravilhas”, contento-me a ir até onde dou conta; calado, sozinho e ajudando...



“O homem que não conhece a dor, não conhece a ternura da humanidade”
Jean-Jacques Rousseau

A jardinagem do Amor

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  Sou um vaso de vidro nu que procura a tua areia para se aconchegar como colo, suportando dores nem sentidas e plantando amores com sementes em forma de sorriso. Sei que hoje em dia a jardinagem não está em alta, mas mantenho o peito aberto à espera... (há de melhorar)... Talvez me seja ainda regado pelo perfume inimaginável do teu abraço e, mesmo que difícil, simplesmente se permita que me faça vista na varanda da tua vida, aliás, sou a muda do nosso amor, dos nossos olhares, dos nossos carinhos mais secretos e intocavelmente sentidos... Ah, ainda hei de te tocar o peito e semearemos a muda crescente que hoje se chama Amor, transformando-a em nós e somente isso emergirá do “tempo” que nos temos, eu sinto... Pois uma muda só precisa de um espaço para começar a preencher, de uma chance para experimentar carinho e o fazer brotar frutos de “tempo já esperado”, crescendo com caricias tuas... Amando teus cuidados. Uma muda só precisa de amor...



Rega-me com o teu abraço!