Submissão

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  A passividade em frente a vida estimula a estrutura que se acha ser sua. A apropriação do outro para contigo, submerge o seu próprio eu-amigo. É-se então, um eu teu que nunca o foi propriamente seu. A submissão torna-se aconchego com o desencadeio de uma vida sedenta a mudez. Não há a transformação dos valores, não és alguém senão a projeção duma mentira que se acha ser gente. Contudo, é-se o que diz até o ponto que te acalentas ser um passível à beira do abismo... 

  Seu faz de conta contorna a decadência, sua fineza não passa de pobreza. Sua aparente nobreza fede a mofo, teu estômago é desgostoso. Seu sorrir não sorri com o teu eu, mas apenas com a boca de utilidade mecânica. E quanta porcaria que sai, tantas mentiras e aparências para mostrar-se superior, para se dizer e enfatizar um alguém que nem um pouco tu és... 

  Seus sentimentos são deixados para trás, tua inocência morre toda de uma vez, nada explica esconder-se. O sofrimento aumenta quando nega-te ser quem és. A passividade não mostra tua voz. Teu sorriso contém sentimentos que não são teus. Teu blefe, não mostra quem és por trás do capuz. Então, não passas de um fantoche que se acha ser gente, que submete-se ao atraente e que engolfa numa vida descontente...




I am mine

Sou...

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  Divido o real do natural, e me apego muito mais ao desconcerto. Dissimulo o contexto abstração tornando a redoma do meu sentimento. E, desfaço-me ao vento, como um sopro ao relento com falta de sossego, um baita de um enfermo. Sou, muito tudo quanto nada. Tão imenso em dor e sentimento que não me atenho a caber somente em mim mesmo.

  Sou um vento no desassossego, uma visão sem fim, um utópico sonhador poeta-ator. Uma questão sem resposta com um amor muito maior que o platônico sabor do sofrimento. Sou-me âmago desconfigurado em afagos bem dados, um carinho muito do bem tratado. Sou um sopro, um beijo amado no seu lábio carnado. Uma dor imensa com seu coração alado. Uma passagem, uma vida em sinceridade. Um não covarde, com um amor de verdade.



…Teu

Imensidão

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A procura da definição
Na mesa da imensidão
Um prato muito mais saboroso do que arroz e feijão

O sim que também é não
Um talvez que é mais inconcreto
O descoberto que não é certo

O fomento e a indecisão
Enticando novo momento de solidão

É muito mais que compreensão
Um abstrato e seu borrão
Uma flor e sua paixão
Um amor e sua vasta
Emoção

Retomada

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E hoje acordei,
simples,
só amando os tristes.

Avistei, um eu,
distante na história
com seus choros na memória.
Tão só, como sempre fora.
Tão criativo, como fez-se atual.

 Um eu, longínquo,
 com porquês partidos e o coração em prantos,
um eu muito do mais insano.

.Abstrato

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Eu gosto do que não tem forma, do que se desenvolve ao longo da história.
Eu gosto do não palpável, do interpretável, pois é tudo inimaginável.
Eu gosto do pincel, da caneta, da lente, dos borros e seus influentes.
Eu gosto do intangível, do valor unificado.
Do que não se pega, mas se imagina.
Do que não se tem, mas se sente.
De todas as vertentes.
Eu gosto do amorfo, do cheiro de mofo e das raridades do tempo.
Mas eu não gosto do vento.
Eu gosto da arte que não faz parte, da criatividade e do seu sacode.
Dos gritos, mas não da morte.
Do novo e sua sorte.
Da rima e seu acorde. Da arte e seu suporte.
Eu gosto é de um recorte, de uma exposição, sem norte.
Eu gosto é da liberdade, da expressão e da profundidade.
Eu gosto da linha, da teia, dos significados.
Do nada muito mais que um caso.
Gosto quando as ideias não vão é pro vaso.
Eu gosto do antiforme, do descalço, e do amor muito mais do que um fato.
Abstrato.
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“Tudo em meu torno é o universo nu, abstrato, feito de negações noturnas. Divido-me em cansado e inquieto, e chego a tocar com a sensação do corpo um conhecimento metafísico do mistério das coisas.” Fernando Pessoa