O que faz eu aqui?

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Me assusta e me encantas
na forma que danças
o doce sabor da tua dor

Prenda-me e leve
em lugar algum
encaixe-se no rum
e descreva teu alvoroço antigo
no tremendo zunzunzum

Hipnotize, faça doer o que te sinta
gaste tuas rimas e dissemine tuas sinas
aliás, o que faz eu aqui
na tremenda dor do seu dissabor

Liberta-me e sinta
A viagem da não melodia
do desgosto sossego da nossa morfina
Aliás, o que faz eu aqui?


É noite!

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  Olhar pro mar me faz pensar... em ti. A brisa vai e vem pro nosso amor se sentir tão bem. E os olhos estrábicos do rosto ossudo não enxergaram o tempo tão rápido que passou, mas sentiram o amor tão forte que perdura. É noite e eu não durmo mais, meu sonho, ó quanta realidade! Tá frio, esquente-me um pouco mais com o abraço da mais pura verdade! É noite e eu não quero acordar dessa imersão de plena sinceridade. É amor, da mais pura bondade e sentimento muito do mais além da normalidade. Que frescor dessa brisa morna de beldade. É noite da mais aconchegante de sensibilidades tocantes. Torpor! Faz calor nesse céu estrelado da tua emoção, ou melhor, quanto sol no aconchego do teu coração.

Muito acima do chão

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Procurava um sopro
De vida
E toque teu calou-me
O alvoroço
Em delírios

Indescritível torpor!
Frenesi, tesão
Beijo e toque
Sabor divino!

Voou dos lençóis
Muito acima do chão
Iluminados, na viagem
Entrelaçados, sem nenhuma escuridão
No mesmo suspiro de excitação
Oh devaneio da paixão!

Nosso amor...

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Vamos pintar essa via!
Colorir outras vidas, de histórias
E largar o florido do nosso devaneio amado
Em canções e poesias que não definam tamanho
Mas que enriqueçam nosso amor
Porque eu te amo,

Meu amor.

Submissão

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  A passividade em frente a vida estimula a estrutura que se acha ser sua. A apropriação do outro para contigo, submerge o seu próprio eu-amigo. É-se então, um eu teu que nunca o foi propriamente seu. A submissão torna-se aconchego com o desencadeio de uma vida sedenta a mudez. Não há a transformação dos valores, não és alguém senão a projeção duma mentira que se acha ser gente. Contudo, é-se o que diz até o ponto que te acalentas ser um passível à beira do abismo... 

  Seu faz de conta contorna a decadência, sua fineza não passa de pobreza. Sua aparente nobreza fede a mofo, teu estômago é desgostoso. Seu sorrir não sorri com o teu eu, mas apenas com a boca de utilidade mecânica. E quanta porcaria que sai, tantas mentiras e aparências para mostrar-se superior, para se dizer e enfatizar um alguém que nem um pouco tu és... 

  Seus sentimentos são deixados para trás, tua inocência morre toda de uma vez, nada explica esconder-se. O sofrimento aumenta quando nega-te ser quem és. A passividade não mostra tua voz. Teu sorriso contém sentimentos que não são teus. Teu blefe, não mostra quem és por trás do capuz. Então, não passas de um fantoche que se acha ser gente, que submete-se ao atraente e que engolfa numa vida descontente...




I am mine